Consequências da obesidade: saiba como ela afeta seu organismo

Segundo estimativas da ONU, aproximadamente 1 em cada 3 pessoas no mundo estão com sobrepeso e em torno de 1 em cada 10 pessoas já tem obesidade. No caso da obesidade infantil, já são mais de 40 milhões de crianças menores de 5 anos na faixa da obesidade. Conheça aqui quais são as consequências da obesidade e que prejuízos essa importante causa de doença pode causar em seu corpo.

Consequências da obesidade

 

Que doenças a obesidade causa?

As pessoas que estão na faixa de sobrepeso ou obesidade (IMC acima de 25 kg/m²), quando comparadas com quem está na faixa de peso normal (IMC abaixo de 25 kg/m²), têm um risco aumentado de desenvolver uma série de doenças potencialmente graves, debilitantes e incapacitantes, incluindo principalmente:

  • Aumento de mortalidade por todas as causas;
  • Pressão alta (hipertensão);
  • Dislipidemia (excesso de LDL, diminuição de HDL e/ou excesso de triglicerídeos);
  • Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Doença arterial coronariana – aterosclerose;
  • Diabetes tipo 2;
  • Artrose, especialmente de joelhos;
  • Doenças da vesícula biliar, como cálculos (colelitíase);
  • Apneia do sono e outros distúrbios da respiração;
  • Aumento da chance de desenvolver alguns tipos de câncer (de intestino, do fígado, das mamas, dos rins, da vesícula e do endométrio);
  • Doenças psiquiátricas, especialmente depressão e ansiedade;

A obesidade também diminui a modalidade e impacta diretamente na qualidade de vida, reduzindo a aptidão física.

O excesso de peso também está relacionado a uma série de complicações na gestação, irregularidades menstruais, hirsutismo (crescimento indesejado de pelos com padrão masculino na mulher, atingindo áreas como o rosto, o peito e as costas) e incontinência por estresse.

Hipertensão

A pressão alta é caracterizada como uma pressão igual ou superior a 140/90 mmHg ou, de acordo com as diretrizes da ACC/AHA de 2017, igual ou superior a 130/80 mmHg.

Em torno de 40% dos homens e 30% das mulheres com IMC igual ou superior a 30 kg/m² apresentam pressão alta. Esses números caem para para 18% nos homens e 16,5% nas mulheres com um IMC abaixo de 25 kg/m².

Estima-se que um aumento de 10 kg se traduz em elevação de aproximadamente 3 mmHg na pressão sistólica (a “maior” pressão) e 2,3 mmHg na pressão diastólica (a “menor” pressão).

Ainda, a combinação de pressão alta com obesidade contribui mais ainda para o surgimento de doenças cardiovasculares como a aterosclerose, o AVC e o infarto, por uma série de mecanismos.

Diabetes

Existe um risco aumentado de contrair diabetes que inicia desde um IMC de 22 kg/m². Quanto maior o IMC, maior esse risco. Para cada novo ponto no IMC acima de 22, existe um aumento de 25% no risco de contrair diabetes, comparado com a população de peso normal.

A complicação da obesidade que leva à diabetes ocorre por uma série de fatores. O nosso corpo utiliza o tecido de gordura (tecido adiposo) para acumular o excesso de energia que entra no corpo. Quando esse sistema não dá mais conta de armazenar essa gordura, existe um processo de acúmulo de gordura em forma de triglicerídeos em outras células do corpo, que sofrem com isso.

Uma das áreas afetadas são os músculos. Quando eles encontram-se repletos de gordura, a insulina (que tem a função de carregar o açúcar do sangue para dentro das células) deixa de funcionar, pois o músculo não mais tem a capacidade de captar açúcar do sangue. Com isso surge a resistência à insulina, uma das marcas da diabetes e que surge antes mesmo dos sintomas da doença. É por isso, também, que a prática regular de atividades físicas é tão importante no combate à diabetes. Quando você se exercita, seu músculo recupera a capacidade de receber o açúcar do sangue e todo o seu metabolismo melhora.

Essa gordura que deveria permanecer localizada no tecido adiposo também pode invadir o pâncreas, nosso órgão responsável pela produção de insulina. O resultado é a disfunção das células beta-pancreáticas, produtoras desse hormônio. Com a falta de funcionamento correto dessas células, a insulina deixa de ser secretada corretamente e a diabetes progride.

Artrose

As pessoas com sobrepeso e obesidade têm mais chance de desenvolver artrose do que a população de peso normal. As articulações mais afetadas são os joelhos e mulheres têm mais chances de desenvolver o problema do que homens. Para cada quilo de peso a mais, a chance de desenvolver artrose aumenta de 9 a 13%.

Já a redução do peso, com queda do IMC de pelo menos 2 pontos em 10 anos, reduz em 50% a chance de desenvolver artrose.

Câncer

O câncer de cólon (do intestino) está fortemente ligado à obesidade, principalmente nos homens. Mulheres com IMC superior a 29 kg/m² têm o dobro de chance de desenvolver câncer de cólon distal se comparadas a mulheres com IMC menor que 21 kg/m². A chance de surgimento de pólipos no intestino também é maior nas pessoas com excesso de peso.

Mulheres na pós-menopausa e que apresentam excesso de peso  têm mais chance de desenvolver câncer de mama. Na mulher em pós-menopausa, a principal região produtora de estrogênios deixa de ser os óvulos e passa a ser o tecido gorduroso, em um processo conhecido como aromatização. Os estrogênios, quando em excesso, estão ligados ao câncer de mama.

Em relação ao câncer de endométrio, mulheres com um IMC igual ou superior a 30 kg/m² têm 3 vezes mais risco de desenvolvê-lo do que mulheres com o peso normal.

Outra consequência da obesidade, o câncer de vesícula biliar, principalmente nas mulheres, também tem mais chances de surgir em quem tem excesso de peso.

Complicações da obesidade indicam cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica ou de redução de peso está indicada para todo paciente com obesidade mórbida (IMC maior ou igual a 40 kg/m²) ou para aqueles pacientes que apresentam obesidade grau II (IMC de 35 a 40 kg/m²) que comprovadamente apresentam uma ou mais das complicações de ser obeso.

Porém, é importante lembrar que ela só é indicada após 2 anos de falha de tratamento médico, que inclui medicamentos e a aderência a modificações do estilo de vida (atividades físicas regulares e boa alimentação). Um programa integrado e multiprofissional deve ser colocado em prática para guiar a alimentação, atividade física e o suporte social e comportamental tanto antes como depois da cirurgia bariátrica.

Essas são algumas das várias complicações do excesso de peso.

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