Dieta, dieta e mais dieta

Existem dietas para quase tudo dentro da Medicina. Apenas para citar algumas: diabetes, colesterol, renais crônicos, hepatites, cirróticos, cardíacos, alérgicos, diarréias, ácido úrico, pressão alta, etc. Porém, a dieta mais procurada, perseguida e visitada é a utilizada para o combate à obesidade. Isto é, emagrecer. Neste campo, existe uma verdadeira “neurose de guerra”, principalmente nas modelos, atrizes, socialites, enfim, de todas as pessoas que precisam do corpo para faturar na mídia, na indústria da moda ou simplesmente estar na moda, na onda.

Acontece que a auto-estima é a condição fundamental para se atingir a felicidade. E tome auto-estima: dietas, malhações, caminhadas, corridas, lipoaspiração, silicone, etc., mexendo nos parafusos da bioquímica humana para fazer a máquina se enquadrar nas medidas consideradas fisiológicas. Daí a imensa curiosidade por tudo que se publica sobre comer e emagrecer. Em janeiro de 2001, uma pesquisa nas livrarias dos Estados Unidos encontrou 1.240 títulos, ensinando alguma fórmula milagrosa para emagrecer. Desses, os mais vendidos era sobre dietas. Todavia, a contabilidade dos médicos continua a mesma: quem gasta menos calorias que come, engorda; quem gasta mais energia, emagrece. É a lei da física.

A ciência do emagrecimento tem seus modismos, que aparecem para animar o universo dos obesos, dar esperança e faturar, faturar muito dinheiro. Um desses pobres pecadores é um médico cardiologista americano, que divulga uma dieta pobre em açúcares através de livros, clínica especializada e uma multidão de produtos dietéticos. Coitado, tem uma fortuna de 200 milhões de dólares, apesar de ser combatido por todas as entidades médicas daquele país. Aliás, a indústria do “me-engana-que-eu-gosto” cresceu de forma assustadora no final do século passado. Vejam a lista inesgotável dos produtos “diet”, “light”, zero lactose, zero glúten, etc.

Na vitrine das dietas, existem as chamadas “metabólicas” (que interferem no funcionamento do corpo), como as de baixo carboidratos (restauração, Ponto Z, Dr. Atkins, etc.), onde o ideal de 60% de açúcares na dieta é reduzido para 40 e 20%. As protéicas e hiperprotéicas, que se fartam de carnes, queijo, ovos e até bacon. A dieta “body for life”, onde o inimigo é a gordura. E outras, que são uma mistura de todas tendências, como a equilibrada, onde se pode comer um pouco de tudo, desde que não ultrapasse a quantidade diária permitida de calorias (dietas dos pontos e dos Vigilantes do Peso). Tal dieta visa à reeducação alimentar e, a princípio, nada é proibido. Nas alternativas, geralmente os regimes são de baixas calorias (menos de 1.200 cal/dia) e o que se pode comer depende da dieta, balanceando açúcares (60%), gorduras (20%) e proteínas (20%). Nesta dieta, a perda de peso é constante, porém a pessoa volta a engordar em pouco tempo.

A verdade é que a maioria das pessoas quer um emagrecimento rápido e duradouro, apelando para as dietas escravizantes. As pesquisas mostram que nove em cada dez pessoas querem perder pelo menos 30% da massa corporal, enquanto os médicos defendem a perda de 5%, com manutenção por ano.

Realmente a obesidade é uma grave enfermidade e exige medidas drásticas, a exemplo da atual epidemia nos Estados Unidos, onde 60% da população têm excesso de peso. Mas querer transformar o ser humano num saco de ossos, vai daí uma grande distância. É um absurdo ver as celebridades com seus corpos esqueléticos, que lembram os campos de concentração ou países onde a fome é endêmica, como na África. Todavia, a única certeza dentro deste campo é que cada caso é um caso, com tratamentos diferentes em termos de dietas, exercícios, etc. Na dúvida, procure sempre o rigor científico e evite os modismos das estrelas.

Se você quer dar Adeus à Obesidade, o recomendado é uma perda de no máximo 1 kg por mês. Depois de atingir um peso adequado, reduzir em torno de 300 gramas por mês. Sempre com acompanhamento nutricional e não “dietas da moda”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *