Obesidade e genética: o que elas têm a ver?

Hoje, nós sabemos que a causa da obesidade é multifatorial: um conjunto de fatores ambientais e genéticos acumulados culminam no surgimento do problema. Entenda aqui qual a relação entre obesidade e genética e como isso impacta a sua vida com o problema.

Relação entre obesidade e genética

Tipos de obesidade genética

Quando falamos de genes e sua relação com o excesso de peso, podemos dividir as pessoas em subgrupos:

  • Obesidade poligênica ou comum: é aquela que afeta a grande maioria da população. Por poligênico, entende-se que são vários os genes envolvidos no surgimento da doença. Quanto mais genes “pró-obesidade” uma pessoa portar, maiores as chances de desenvolver a obesidade.
  • Obesidade monogênica: é caracterizada por obesidade severa sem a presença de atrasos no desenvolvimento.
  • Obesidade sindrômica: são pessoas com obesidade e atrasos no desenvolvimento, incluindo retardo mental, dismorfias e anormalidades de órgãos específicos.

São 20 os genes que, quando estão afetados unicamente, levam à obesidade monogênica. Todos estão relacionados a uma via metabólica conhecida como via da leptina/melanocortina (a leptina é um dos principais hormônios que regula nossa sensação de fome e saciedade).

Uma das formas mais conhecidas de obesidade sindrômica é a síndrome de Prader-Willi, causada por uma anormalidade cromossômica única. Isso leva a uma disfunção de como o sistema nervoso central processa a fome. Os portadores da doença têm obesidade desde o início da vida e hiperfagia (excesso de fome e de ingesta de alimento).

Genes envolvidos na obesidade comum (poligênica)

Desde 2007, por conta de avanços na forma como genes potencialmente envolvidos no surgimento da obesidade são estudados, muitos genes vêm sendo descobertos como influenciadores do surgimento do excesso de peso. Hoje, são mais de 20 genes que claramente parecem exercer influência na obesidade comum.

Esses genes ou alelos são divididos entre:

  1. Aqueles que afetam a função do sistema nervoso central;
  2. Aqueles que agem nos tecidos periféricos (principalmente no tecido adiposo – aquele responsável por acumular a gordura).

Mesmo com a descoberta desses genes, eles explicam menos de 2% da variação entre indivíduos dos níveis de IMC. Isso significam que são inúmeros o genes e locos de DNA ainda desconhecidos que podem estar envolvidos no surgimento ou progressão da obesidade!

Qual o impacto da genética na obesidade?

A epidemia de obesidade que estamos vivendo agora não parece ter uma base puramente genética. Porém, os genes exercem um importante papel na suscetibilidade das pessoas aos hábitos de vida que levam ao sobrepeso. As mudanças do nosso estilo de vida que surgiram no século passado tem transformado nosso meio em um “ambiente obesogênico”, ou seja, que predispõe ao surgimento da obesidade e de suas consequências.

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